
Na última terça-feira, 24 de março, o Santuário de Schoenstatt da Vila Mariana acolheu os participantes para o segundo dia do Retiro Quaresmal, marcado por momentos de oração, silêncio e profundas reflexões espirituais. A programação teve início com a acolhida e oração inicial, conduzindo todos a um ambiente propício de encontro com Deus, especialmente neste tempo forte que antecede a Semana Santa.
A primeira reflexão, conduzida pelo Frei Ronivalder Biancão, abordou o tema “A arte de escutar: por que Jesus precisa do nosso silêncio?”, convidando os participantes a refletirem sobre o silêncio como caminho essencial para a vida espiritual. Em um mundo marcado por ruídos externos e internos, o frei destacou que o verdadeiro desafio não está apenas em “fazer silêncio”, mas em silenciar o coração — deixando de lado preocupações, sentimentos e distrações que impedem a escuta de Deus.
Inspirados pela atitude de Maria, mulher do silêncio e da contemplação, os participantes foram convidados a valorizar esse caminho como preparação para viver mais profundamente os mistérios da fé.
Após a meditação, houve tempo de silêncio e oração pessoal, seguido pela oportunidade de confissões, favorecendo uma experiência concreta de encontro com a misericórdia de Deus.
Na segunda reflexão, conduzida pela Ir. M. Vilma Vassoler, os participantes foram provocados com a pergunta: “Como carregar a cruz com alegria?”, à luz do testemunho da Ir. M. Emilie Engel. Partindo do paradoxo da cruz — que de sinal de morte se tornou sinal de salvação —, a reflexão destacou que a santidade não consiste na ausência de sofrimento, mas na presença de Deus no meio dele.
A vida de Ir. M. Emilie foi apresentada como exemplo concreto de confiança na Divina Providência. Por meio da vivência da Aliança de Amor, ela aprendeu a entregar suas dores, medos e limitações nas mãos de Deus e da Mãe de Deus, encontrando força para permanecer firme mesmo nas dificuldades.
Sua vivência mostrou que o sofrimento, quando unido a Deus, ganha sentido — e é justamente esse sentido que gera alegria. Assim, mesmo em meio às cruzes da vida, é possível trilhar o caminho da confiança, no “trem da Providência”, com o coração firmado em Deus.

A programação seguiu com mais um tempo de silêncio e oração pessoal, culminando na Via-Sacra, que ajudou os participantes a meditarem o caminho de Cristo até a cruz. O dia foi encerrado com a Santa Missa, presidida pelo próprio Frei Ronivalder, selando espiritualmente tudo aquilo que foi vivido ao longo do retiro.
A experiência vivida ao longo da tarde também se refletiu nos testemunhos dos participantes, que expressaram a profundidade do encontro com Deus.
“Hoje eu participei aqui do retiro e, como sempre, uma espiritualidade imensa, uma organização cuidadosa. As irmãs, sempre tão serenas, nos ajudaram a viver o silêncio proposto. Foi uma tarde imensamente abençoada. A dinâmica do prego e do coração nos fez recordar a cruz de Jesus de forma muito concreta. Estou saindo daqui renovada e com o espírito mais preparado para viver essa Quaresma e a Semana Santa”, partilhou Eni Saraiva.
Também Maria Cecília Barreto destacou: “Participar desse retiro hoje foi uma grande bênção. No silêncio, pude compreender melhor e escutar as orientações que Deus tem para cada um de nós.”
Mais do que um encontro, o segundo dia do Retiro Quaresmal se tornou uma verdadeira experiência de transformação interior, recordando que, no silêncio, Deus fala — e que, na cruz abraçada com amor, floresce a verdadeira alegria.