
Aline Pinheiro
No último sábado, 21 de março, o Santuário Tabor da Confiança Vitoriosa no Pai acolheu os participantes para o início do Retiro Quaresmal, vivido como um verdadeiro tempo de graça e encontro com Deus. Em meio à rotina agitada da cidade, a tarde foi marcada por um convite profundo: silenciar para escutar a voz do Senhor.
A programação teve início com uma acolhida fraterna, seguida pela oração inicial, que colocou todos em atitude de interiorização, na presença de Cristo e sob o olhar da Mãe e Rainha.
A arte de escutar: Deus fala na brisa suave
A primeira reflexão, conduzida pelo Pe. Emerson José da Silva, trouxe uma provocação essencial para os dias de hoje: em meio a tantos ruídos, ainda conseguimos escutar Deus?
Inspirada na Palavra — “após o fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave” (1Rs 19,12) — a meditação destacou que Deus não se impõe no barulho, mas se revela no silêncio. Mais do que ouvir, é preciso decidir escutar, criando espaço interior para que Ele fale ao coração.
Em um mundo marcado por distrações constantes, preocupações e excesso de informações, o silêncio apareceu não como vazio, mas como lugar de encontro, confiança e presença.
O “Sim” que transforma a cruz em alegria
A segunda reflexão, conduzida pela Ir. M. Vilma Vassoler, apresentou o testemunho luminoso de Ir. M. Emilie Engel, convidando todos a repensarem sua atitude diante das cruzes da vida.
Irmã Emilie viveu um “Sim” ativo e vitorioso, enraizado na confiança no amor providente de Deus. Sua vida recorda que a cruz, longe de ser sinal de abandono, pode se tornar caminho de amor e fecundidade.
A reflexão levou os participantes a um questionamento profundo: diante das dificuldades, temos apenas suportado ou realmente oferecido um “Sim” cheio de confiança?
Também foi destacado que a verdadeira alegria não depende de circunstâncias externas, mas nasce da certeza de ser amado por Deus. É essa segurança interior que sustenta mesmo nas limitações e sofrimentos.

Via-Sacra: carregar com Cristo os próprios “pregos”
Um dos momentos mais marcantes da tarde foi a Via-Sacra. Cada participante recebeu um “prego”, símbolo concreto das próprias fragilidades, medos, pecados e limitações.
Durante o percurso, esse gesto ganhou significado profundo: unir a própria vida à cruz de Cristo, permitindo que Ele transforme as dores em caminho de redenção.
Ao final, cada participante depositou seu “prego” na cruz, num gesto de entrega e confiança.
A experiência vivida tocou profundamente os participantes, como expressam alguns testemunhos:
Fátima Bracco destacou a graça de encontrar, no coração da cidade, um espaço de silêncio e encontro com Deus:
“Em meio aos prédios e à correria, aqui é lugar de graça. Foi um momento especial de escutar Deus, algo que muitas vezes não conseguimos no dia a dia.”
Já Gabriela Coiado, da Jufem, ressaltou a profundidade espiritual do retiro:
“Foram momentos muito especiais, refletindo sobre o silêncio e sobre como Deus se manifesta nele. Foi um tempo de muita profundidade, com oração, confissão e uma experiência realmente abençoada.”
Um caminho que continua
O primeiro dia do Retiro Quaresmal foi encerrado com a Santa Missa, coroando uma tarde de encontro, escuta e entrega.
Mais do que um evento, o retiro se apresenta como um convite contínuo: aprender a silenciar, confiar e dizer “Sim” a Deus em todas as circunstâncias.
Em um mundo cheio de ruídos, permanece a pergunta que ecoou ao longo do dia:
estamos realmente dispostos a parar… para escutar?