Cícera Martins
No dia 8 de julho, como Família de Schoenstatt, celebramos a ordenação sacerdotal de nosso Fundador, padre José Kentenich. Há 116 anos, o padre Kentenich foi ordenado na capela da Casa Missionária dos Padres Palotinos, em Limburgo, na Alemanha, sob o lema: “Concede, ó meu Deus, que todos os espíritos se unam na Verdade e os corações no Amor”.
Esse dia significa para nós o “sim” definitivo do Pai e Fundador ao serviço de Cristo e da Igreja, após difíceis anos de preparação. Ele via o sacerdócio como um radicalismo de entrega, do qual nasceria o ideal de formar “personalidades livres e fortes” sob a proteção de Maria. Foi o início de uma missão que marcaria profundamente a vida da Igreja.
Esse mistério de eleição e resposta, em que Deus chama e o homem responde, no Fundador se realizou por uma sensibilidade particular para a formação das consciências, para o acompanhamento das almas e para a construção de uma espiritualidade encarnada na vida cotidiana.
Seu sacerdócio era ponte, pela qual unia céu e terra, graça e natureza, ideal e realidade concreta. Desde sua ordenação, padre Kentenich demonstrou compreender essa missão de forma profunda: não afastar as pessoas do mundo, mas ajudá-las a encontrar Deus dentro dele.
Embora tivesse o desejo de ser missionário na África, padre Kentenich foi impedido de seguir para as missões devido a problemas de saúde. Isso o levou a ser nomeado professor e, posteriormente, diretor espiritual, onde daria os primeiros passos para a fundação de sua obra.
Em sua primeira conferência aos seminaristas, ele apresentou um programa revolucionário para a época: “Sob a proteção de Maria, queremos aprender a educar-nos a nós mesmos, para sermos caracteres firmes, livres e sacerdotais”.
Esse trabalho de acompanhamento espiritual culminou em 18 de outubro de 1914, quando ele e um grupo de jovens selaram a Aliança de Amor com Maria na capelinha de São Miguel, dando origem ao Movimento de Schoenstatt.
A vida do padre Kentenich, com suas luzes e cruzes, confirmou que a fidelidade ao chamado passa por provações, purificações e amadurecimento constante.
Rendemos graças a Deus pelo dom da vocação de nosso Pai e Fundador, e queremos seguir seu exemplo, refletindo sobre nossos próprios chamados. O “sim” pronunciado naquele dia ecoa como convite permanente: viver com radicalidade, transformar a fé em missão e permitir que a própria vida se torne instrumento de graça para os outros.