No dia 16 de março de 1947, um momento marcante começava a ser escrito na história de Schoenstatt no Brasil. Às 14h, um avião vindo de Roma, após escala em Recife para abastecimento, pousava no Rio de Janeiro, trazendo um passageiro muito esperado: o fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, o Pe. José Kentenich.
Naquele tempo, o aeroporto ainda ficava na Ilha do Governador e os passageiros precisavam seguir de barco até a cidade. À espera do fundador estava Ir. M. Norberta Schulte, uma das pioneiras das Irmãs de Maria no Brasil. Após 12 anos sem vê-lo, ela aguardava com emoção. Ele saudou-a e aquele reencontro simples tornou-se um momento histórico para toda a Família de Schoenstatt no país.
Naquele momento, o Brasil contava com a presença das primeiras Irmãs de Maria enviadas em 1935 para iniciar a missão da Obra de Schoenstatt em solo brasileiro, de muitas outras, missionárias como elas, e de vocações do próprio país. A chegada do fundador era, portanto, mais que uma visita: era um encontro entre o Pai e a jovem Família que crescia na nova terra.
“Vim experimentar as glórias da Mãe de Deus”
Após pernoitar no Convento de Santo Antônio, o fundador seguiu viagem para o sul do país. No dia 18 de março de 1947, em Santa Maria, ele se encontrou com a Família de Schoenstatt reunida e pronunciou palavras que se tornariam proféticas:
“Vim experimentar aqui as magnificências da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt.”
Essa frase resume o espírito de sua visita. Depois de anos difíceis vividos durante a Segunda Guerra Mundial — inclusive sua prisão no Campo de concentração de Dachau — o fundador estava convencido de que Schoenstatt era uma obra conduzida por Deus e que deveria chegar a muitos povos.
No Brasil, ele encontrou um terreno fértil para essa missão.
A missão de um Brasil Tabor
Durante essa primeira viagem, o fundador ajudou a Família de Schoenstatt brasileira a descobrir sua identidade e missão. Aos poucos foi surgindo uma ideia que se tornaria central: o ideal do Brasil Tabor.
A inspiração vem do Monte Tabor, lugar da transfiguração de Cristo. Para Schoenstatt, significa transformar a realidade pela fé, pela Aliança de Amor e por uma vida que reflita a presença de Deus.
Décadas depois, em 31 de maio de 1967, durante o lançamento da pedra fundamental do Santuário de Schoenstatt na Vila Mariana, o fundador reforçaria esse sonho: que o Brasil e o mundo se tornem um grande Tabor da Mãe de Deus.
Um convite também para nós
Ao recordar essa primeira visita, não celebramos apenas um fato histórico. Recordamos um chamado que continua atual.
Se o fundador veio ao Brasil para “experimentar as glórias de Maria”, hoje somos nós que devemos torná-las visíveis através da nossa vida, da fidelidade à Aliança de Amor e do compromisso com a missão.
Aqui no Santuário de Schoenstatt da Vila Mariana, queremos renovar essa mesma atitude:
agradecer a visita do Pai Fundador à nossa pátria e rezar para que o Brasil continue sendo terra onde Maria possa manifestar suas graças.
Que cada peregrino que passa pelo Santuário também ajude a construir esse sonho:
um Brasil cada vez mais Tabor, uma verdadeira terra mariana.
Referências:
Movimento Apostólico de Schoenstatt
José Kentenich. Tabor: Missão para o Brasil – Herança Tabor 1.
Estevão J. Uriburu. Passos de um Pai.
Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt.